Há 5 anos lancei o livro “A dieta anticancro”. Aquele livro foi e ainda é, para muitos doentes oncológicos um manual que abrem com mais frequência que as suas agendas para consultarem e reforçarem a ideia da Mudança.

Há 5 anos, até eu fiquei surpresa com a relação que existia entre a alimentação, gestão de peso e o cancro e a falta de informação que existia no nosso país.

Há 5 anos contactei todas as associações que existiam no nosso país para divulgar o meu livro e ajudarem-me a fazê-lo chegar a cada vez mais doentes. Recebi resposta de talvez 3 ou 4 associações, todas elas a darem os parabéns pelo trabalho mas sem interesse em promover a divulgação e, uma delas escreveu: ”
Infelizmente tentamos evitar tudo que dá a ideia que o cancro da mama pode ser mesmo evitado… Concordamos totalmente que uma dieta saudável é um factor super importante mas não há ainda nenhuma dieta que evita ou previne o cancro.

Depois desta resposta desisti de tentar o apoio das associações, pois entendi que a ignorância era enorme e que, esta em particular, usaria a associação para ?? Não sei bem, se não é dar esperanças aos doentes será para?

Questiono: Como se dá apoio se não ajudarmos a encontrar soluções?

Questiono: Então o cancro é o quê? Falta de sorte? Apanha-se na casa de banho? Não é uma doença comportamental?

Estou como sabem a organizar um seminário “5 Mudanças – antes, durante e depois do cancro” em Lisboa e no Funchal. Há 4 anos que assim acontece e é a primeira vez que contactei associações para promover a doação. Em contacto com uma associação para DOAR parte do valor que irá ser cobrado e em contrapartida partilharem o evento pelos seus contactos, recebo a seguinte resposta: ” … Estamos certos que compreenderá a nossa posição que não nos permitirá associar ao Seminário sobre “Dieta anticancro”, pois as mensagens veiculadas poderão levar os destinatários, que estarão muito suscetíveis, por razões que compreende, a entender que comportamentos específicos podem, por um lado explicar o aparecimento da doença ou, constituir um/o meio de a curar …”

Há 5 anos aceitei a falta de conhecimento, pois até a maioria dos profissionais de saúde não valorizavam a alimentação, bem como outros comportamentos.

Há 5 anos havia mais 1 livro sobre o Cancro além do meu.

Neste momento, existem mais de uma dezena de livros sobre a temática, todos eles suportados por estudos cientificos, tal com os meus e, eu, ainda os suporto pelo que afirmam entidades como OMS, WCRF, IARC, . Comportamentos podem prevenir e ajudar na recuperação. Cerca de 31% dos fatores de risco de ter um diagnostico de cancro dever-se-á à alimentação e gestão de peso e, são mais de 75% dos fatores de risco associados ao comportamento individual. Mais de 3/4 dos fatores de risco são comportamentais, não terá um peso suficiente para que associações, entidades, profissionais de saúde comecem a valorizar e a incentivar as alterações comportamentais?

Não consigo ficar indiferente e, ainda hoje tenho que continuar a dizer que a salvação é individual e uma vez mais caminho praticamente sozinha sem apoio mas chegarei a quem quer receber mais informação e, no lugar dos doentes ficarem sentados, irão agir em prol da saúde.

MR


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