“O cancro assumiu proporções muito grandes na sociedade atual e embora existam registos de uma patologia semelhante na Antiguidade, foi no século passado que esta doença começou a alastrar e a trazer mais sofrimento. Atualmente, são poucas as famílias que nunca tiveram um familiar com cancro e é importante percebermos porquê.

Vivemos na era da saúde, da perfeição, do equilíbrio e também do medo. Há uma recusa generalizada em viver os momentos do desequilíbrio com a mesma naturalidade com que vivemos os momentos de equilíbrio. Repare na quantidade de medicamentos para a constipação que existem na farmácia, sendo que cada um promete ser mais rápido e eficaz que os restantes, como se ficar constipado fosse o fim do mundo.

A constipação surge em muitas situações de limpeza do organismo (física e emocional) e intervir nesse processo de forma abrupta coloca em causa um processo que é natural. Poderá pensar que isso seria mais fácil se não tivesse de ir trabalhar constipado, mas, na maior parte das vezes, o corpo está exatamente a pedir que abrande o ritmo, que descanse e durma, e de preferência que não coma muito para que essa limpeza possa ser feita.

Outro exemplo gritante é o da depressão. A depressão pode atingir proporções dramáticas na vida de uma pessoa. Enquanto doença, pode colocar em causa o emprego, as relações familiares, a higiene pessoal e mesmo a saúde do corpo. 

O mais comum nas pessoas que apresentam sinais depressivos ou depressão é serem medicadas. A medicação pode ser utilizada para aliviar sintomas como insónias, pesadelos, dificuldades de concentração e astenia, mas raramente se trabalha a depressão como um sinal positivo de saúde mental.

Deprimir é a sua capacidade de dizer a si mesmo que não gosta de algo, que não está feliz, que há coisas que precisam de mudar, que o seu limite para algo está a chegar ao fim. Quem deprime tem, por norma, energia vital suficiente para sentir essa tristeza e desejar que algo mude. Combater este estado através de medicação e desejar uma recuperação quase instantânea é desvalorizar todo o processo de crescimento e mudança pelo qual uma pessoa está a passar. Obviamente, não estou a dizer que a medicação não seja necessária ou não deva ser utilizada em alguns casos. O que digo é que, na maioria dos casos, não damos a possibilidade a estas pessoas de se regenerarem, de se compreenderem, de viverem a sua tristeza e nela se reencontrarem. Pelo contrário, como temos de estar todos muito felizes, vamos dar-lhes mais um comprimido e esperar que passe rápido.

Há, então, esta necessidade de intervir, de evitar e contrariar tudo o que seja sintoma e doença, ao invés de aceitar e abraçar aquilo que o corpo e as emoções querem dizer-nos.

Ainda que a medicação seja necessária, ou mesmo uma cirurgia, há sempre um momento para olhar para dentro, questionar, observar e transmitir amor ao corpo, no intuito de compreendermos em pleno o que se está a passar.

A segunda questão relacionada com o aumento do número de casos de cancro tem que ver com o nosso estilo de vida. É engraçado como esta frase, tão vulgar hoje em dia, diz tudo e não diz nada; no entanto, resume na perfeição o que se passa connosco. Vivemos acelerados, desligados, sem tempo, comemos mal, dormimos mal, somos sedentários, usamos e abusamos dos medicamentos e químicos, amamos mal e somos mal amados.

Esta perspetiva parece negra e negativa, mas olhar a realidade como ela é permite encarar as coisas com uma visão positiva e encontrar soluções. Estamos desenraizados daquilo que deveria ser o objetivo último da passagem por este planeta – o Amor. Poderá estar a pensar que precisamos de trabalhar e de ganhar dinheiro para as despesas e, já agora, termos sucesso também faz parte do plano… Mas podemos ter tudo isto com Amor: amar a profissão que temos, amar o nosso companheiro, amar o caminho de casa até ao trabalho, amar os planos e objetivos que traçamos e amar o momento que estamos a viver agora. Em vez disso, vamos vivendo, desligados da essência, desligados do sentir e daquilo que realmente gostaríamos de ter e ser.

Vivemos, aliás, muito mais no «ter» do que no «ser», preenchidos pelo vazio. Claro que há pessoas felizes e claro que há momentos de felicidade, mas a doença só surge onde há incongruência, onde as palavras não coincidem com o sentir, onde o medo se sobrepõe à paixão, onde o abandono é camuflado com a vontade de comer ou de trabalhar em excesso.

As emoções que não libertamos, que não ouvimos ou não aceitamos escondem-se no nosso corpo. Elas vão procurar um lugar, um cantinho para ficarem, e aninham-se nas células com que mais se identificam. Podem ser as do fígado, do coração, do estômago ou dos rins… Elas fazem desse órgão ou sistema a sua casa até um dia não caberem lá mais ou alterarem o funcionamento normal do corpo.

Na verdade, estas células que recebem estas emoções não estão contra si. Elas cumprem o papel de acolher e gerir tudo o que se passa dentro si. Se a emoção em causa for a tristeza, elas choram; se for a raiva, talvez gritem; se for o abandono, eventualmente escondem-se… mas, de uma forma ou de outra, elas estão lá e o corpo vai sinalizando a sua presença.

A forma mais apressada de viver, acompanhada de uma dieta pouco natural e muito processada, acelera este processo e torna o corpo mais susceptível a estes desequilíbrios. Um corpo cansado e intoxicado por uma dieta pesada e processada tem menos capacidade de gerir bloqueios emocionais e energéticos. Corpo e mente estão em ligação constante e influenciam-se mutuamente, pelo que ter um corpo saudável ajuda muito a manter uma atitude mais próxima do amor e da harmonia.

Pode, então, o cancro ser o reflexo de algo emocional? O cancro tem múltiplas variantes, mas sim, podemos dizer que por trás de qualquer cancro há sempre, pelo menos, uma emoção, que se encontra bloqueada e resguardada, mas que tem imensa vontade de ser libertada e curada.

As células têm a capacidade de ouvir e sentir tudo aquilo que ouvimos e sentimos. E, muitas vezes, para aliviar o nosso stress e a pressão emocional, elas encarregam-se de guardar essas palavras ou esses acontecimentos, permitindo que continuemos activos… pelo menos por mais algum tempo.

Claro que todos nós estamos sujeitos a pressões e traumas e isso não significa que vamos ter um cancro, mas é algo que merece a nossa reflexão, no sentido de percebermos que estilo de vida levamos, como nos nutrimos física, psicológica e espiritualmente.

Costuma-se dizer que um corpo alcalino não tem capacidade de alimentar a doença e o mesmo se aplica ao amor… Onde houver amor pleno e consciente, não haverá doença.

É muito frequente as pessoas com cancro terem determinadas características, embora não possamos falar de um perfil propriamente dito:

  • Baixa autoestima;
  • Falta de amor-próprio;
  • Sacrificam o próprio bem-estar em prol dos outros;
  • Evitam encarar a vergonha, a culpa ou sentimentos de inferioridade;
  • São perfeccionistas;
  • Trabalham incessantemente ou têm dificuldade em parar para descansar e não fazer nada;
  • Consideram que já alcançaram tudo o que merecem, mesmo que seja pouco e que continuem a sofrer;
  • Sentem-se rejeitadas;
  • Poderão ter uma atitude de vitimização.

Já vimos anteriormente que a forma como falamos com as nossas células determina fortemente a nossa saúde e o nosso equilíbrio. Se não enviar mensagens de amor às suas células, elas irão, então, cair na doença e, ao fim de algum tempo, o cancro pode aparecer. Sempre que fechamos o coração aos outros e ao mundo, ficamos sós e as células enfraquecem e, com elas, enfraquece também o nosso sistema imunitário. É como se as células quisessem desligar-se daquele corpo por não se sentirem integradas, como nós nos sentiríamos numa festa onde ninguém fala connosco… Acabaríamos por ir-nos embora.

O amor por si próprio, o honrar cada pedaço de si — as partes perfeitas e as imperfeitas — permitem ao seu ADN ultrapassar qualquer tumor ou mutação celular. Da mesma forma que o stress e o desamor provocaram esse cancro, com aceitação e amor, conseguimos reverter o processo.

Outra questão igualmente importante é a forma como a sociedade fala sobre o cancro. Palavras como «combater», «atacar», «aniquilar», «remover», «cortar» e «erradicar» são banais no dia a dia de quem se submete a tratamentos invasivos ou a quem é diagnosticado um cancro.

Ninguém gosta de ser atacado, nem cortado, e as suas células também não. Elas sentem tudo o que estiver a sentir. Se o seu corpo é sagrado, como é possível manter a congruência e o bem-estar emocional, se vai atacar o seu corpo e combater algo horrível que cresce dentro de si? Como é possível amar e atacar ao mesmo tempo? Lembre-se da relação corpo/mente… Aquilo que pensar e sentir irá ter um forte impacto no seu ADN, no seu corpo.

Amar o máximo que pudermos é o objetivo principal da nossa vinda a este planeta e nunca, em circunstância alguma, devemos dirigir-nos ao nosso corpo sagrado como havendo a necessidade de o atacar ou cortar. Se tiver de se submeter a algum tratamento, fale com as suas células, de forma a que elas compreendam que, nesse momento, esse é o melhor tratamento para elas e que você acredita ser a melhor decisão em amor.

É por isso que, após tratamentos agressivos, os cancros desaparecem, reaparecendo ao fim de alguns anos (muito frequentemente entre cinco a sete anos). Fisicamente, a situação parece controlada, mas emocionalmente nada mudou e não se chegou ao cerne da questão: a emoção que estava bloqueada e a provocar este desequilíbrio celular. Se as características acima descritas, como a falta amor-próprio, não forem alteradas e melhoradas, o cancro tende a cumprir o seu papel e reaparecer para promover a mudança que ainda está por fazer.

O cancro tem a capacidade de atribuir um significado mais profundo à vida, transformando muitas vezes atitudes pessimistas em perspetivas de positivismo e fé. Esta transformação interior faz com que a pessoa deixe de se sentir uma vítima indefesa, para passar a estar no comando da situação. Curar o cancro ou uma doença potencialmente fatal é um dos atos mais poderosos que uma pessoa pode realizar na vida.

Lembre-se de que qualquer cura é uma autocura e que consiste na recuperação do equilíbrio que se perdeu devido a algo que sucedeu no passado. Libertando, compreendendo e aceitando essa emoção e esse acontecimento, resgatamos o equilíbrio tão desejado, tornando-nos pessoas mais plenas e mais conscientes.

Quando curamos uma emoção, desvendamos o mistério, permitindo que o nosso corpo flua naturalmente e cumpra as suas milhentas funções de forma naturalmente intuitiva e ligada às nossas emoções e ao pulsar deste planeta.

Parece mais fácil acreditar que uma técnica caríssima algures no estrangeiro é a tábua de salvação para estas situações — uma vez mais, gostaria de referir que há tratamentos e técnicas com resultados positivos e sem recidivas — do que a simples ideia de que emoções harmoniosas e em equilíbrio nos devolvem um corpo são e feliz. Esperamos, na maior parte das vezes, que as soluções para coisas dolorosas sejam complicadas e caras, quando, na maioria das vezes, a vida nos presenteia com soluções fáceis simples e mágicas como o Amor.

A si, que enfrenta este desafio ou já enfrentou, ou que esteja a apoiar um familiar ou amigo, desejo que ilumine o seu caminho esta certeza absoluta de que não estamos neste planeta para sofrer nem para sermos castigados. Vivemos neste planeta maravilhoso, abençoados pelo Sol e pelo Mar, com a possibilidade de comer «os frutos» da Natureza, para termos das experiências mais enriquecedoras que poderíamos ter.

Perder o equilíbrio faz parte do nosso caminho, do nosso crescimento e desenvolvimento, e quanto melhor compreendermos isso, menor será a ocorrência das chamadas doenças e maior será a nossa força interior para vivermos em amor e não no medo. Lembre-se de que nascemos naturalmente em amor, num estado de calma e tranquilidade.

Vimos ao mundo com uma inocência maravilhosa, com uma certeza absoluta de que merecemos o melhor e de que somos muito amados, incondicionalmente amados, e só porque encontramos alguns desafios pelo caminho, não temos de mudar a nossa essência espiritual.Tome a sua decisão agora antes de ser tarde demais.”

 Baseado no livro “5 Mudanças – antes, durante e depois do cancro” – capítulo da Drª. Sadhna Monteiro 

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